O ano de 1923 chegava quase ao fim. Era 08 de Dezembro e o calor apenas começava. Numa casa do Méier, na Travessa Hemengarda, 13, estavam reunidas várias senhoras em profundo recolhimento, em prece, realizando suas costumeiras sessões
espíritas Kardecistas. Presidia a reunião D. Saturnina Ramos de Carvalho.
Em dado momento, uma das Médiuns pede a palavra e transmite a seguinte mensagem, em transe mediúnico.

Todas as pessoas naquela sala estavam sob grande emoção. Enquanto a médium D. Amélia Brasil da Silva falava, D. Saturnina, vidente, via dois espiritos radiantes de luz - em um ela reconheceu o seu grande amor de inspiração: Tereza de Jesus. O outro espírito lhe era desconhecido. Tinham ambos aspecto de senhoras idosas, simpáticas e sorridentes... Depois de quinze minutos de meditação, em ambiente sublime, D. Irene Amélia dos Santos, também vidente, reconheceu o espírito da senhora idosa: o segundo, era D. Thereza Christina...
A reunião revestia-se de grandeza espiritual intensa... o momento era solene.

Animadas pela palavra da Imperatriz Thereza Christina, agora humilde serva de Jesus, as irmãs do grupo, lideradas por D. Saturnina, puseram mãos à obra. Assim, no dia 4 de fevereiro de 1924 surgia o Amparo Thereza Christina que se destinava a socorrer todos os desprotegidos da sorte.

As Vovós de ontem e de hoje.

- Paz seja convosco! Bendito seja Deus! Saúdo-vos em nome de Jesus!
- Paz, sempre muita Paz, minhas filhas!
- O dever de todas as criaturas e de todos os filho de Jesus é o trabalho. Ah! Sim... esse trabalho santo, divino, amoroso e bom, extensivo a todos os seres e a toda criação de Deus. Concito-vos a esse trabalho em prol da humanidade sofredora, principalmente em prol dos velhinhos, pobres seres abandonados, pungidos pelas amarguras de um existir miserável, que a dita não de possuir um lar, que vivem abandonados, entregues à dor. Pobrezinhos! Sem teto! Sem pão! Sem um palavra de conforto... de carinho... de amor... jogados à rua como cousas imprestáveis, sentindo todas as dores físicas e morais. Tendo somente a proteção divina , a misericórdia do Deus de bondade infinita e amor que vela por todos os filhos. Eles têm direito ao respeito, ao carinho, à piedade humana! Pobres seres que já muito lutaram, muito amaram, muito sofreram!...
- Quem vos fala, minhas irmãs, já muito amou e sofreu a maior de todas as dores: a da ingratidão! Graças a Deus! Bendito Sofrimento! Sofrer não é nada! Saber sofrer, eis tudo! Fui chamada " Mãe dos Brasileiros ", tive um trono na Terra. Hoje sou uma pequena serva do Senhor. Quanto é bom ser boa! Não fui como devia ser. Tive também muitas fraquezas... Atualmente quero ser boa, quero ser chamada a "Mãe dos Sofredores".

E, dirigindo-se à D. Saturnina:

- Quantas vezes te ouvi dizer que, se pudesses, criarias casas de caridade para agasalhar sofredores desde a criança ao velho? Nada se perde na imensidão dos céus! Tudo encontra eco nos arcanos do infinito. Os bons pensamentos gravam-se, tomam formas e criam imagens...
- Vamos, minha irmã, reúne teus elementos, tuas irmãs já trabalham contigo. Avante! O mais breve possível vai de porta em porta. Eu te acompanharei e velarei por todos que, de boa vontade, queiram trabalhar. Encontrarás sem dúvida, muita dificuldade. Não terás flores, mas sim muitos espinhos; não palmilharás sobre arminhos, muitas lágrimas tens que derramar sim, mas vencerás se souberes cumprir os ensinamentos do meigo Jesus.
- Calma! Resignação e tolerância! Coragem e fé! Nós te auxiliaremos.
  Darei todas as instruções necessárias. Avante, o mais breve possível! Fica na Paz de Deus!
(Thereza Christina)